
De pássaro
humilhado
A homem
esmagado
Sem sentido
magoado
Com temores
pesadelos
Se quiserem
chamem
Se não
não
Hoje
quero ser
Amanhã
talvez
Com ou sem elas
voarei
Caio
não faz mal
Hoje
penso
Amanhã
logo voo.

sinto falta daquela
chuva que arrefece
terra seca e que dela
faz brotar cheiro inebriante
intenso e contagiante
sinto falta daquele solo
barrento e poeirento
tão alentejano onde vivi
momentos fascinantes
e consegui ser bailarino
sinto falta daquelas danças
e outras valsas que contigo
fazia à beira do lago
noites de luar tranquilas
onde eu e tu éramos um
sinto falta daquele calor
forte e possessivo
que me empurrava para
ti e para o teu nu regaço
belo e de excelência
sinto tanto a tua falta
mulher de terra quente
quero sentir todo o teu cheiro
mesmo que banhada pelas
gotas de chuva ou orvalho


Teus olhos
lagos de vida
Teu beijo
fonte que jorra
Teu corpo
porto de abrigo
Em descanso,
alcanço
sem merecer
teu ser
Querendo hoje
não querendo amanhã,
aquelas dúvidas
relembrando o ontem
Olhando a lua
desenfreado, sim
querendo sentir
hoje, quiçá amanhã

São agora males infligidos
A outrem que prova
Naquela escuridão lembrou
Quantas vezes a abraçou
Quantas vezes a amou
Quantas vezes a beijou
E de quantas vezes desejou
Que aqueles momentos
Fossem uma foto eterna.
Vi a sua tristeza naquela hora
De cabelo apanhado e sem chama
Mas como quem ama perdoa
Naquele momento quis dar-lhe o seu calor
Fazê-la sentir que há mais mar
Em outros oceanos e mais mundos.
Naquele momento quis dizer-lhe
Num sussurro tão costumeiro
Coisas doces e verdadeiras
Naquele momento acordou e pensou:
“Este é um filme terrível, não desejado,
um final esperado, a ausência de alma”.

Como se eu fosse um pássaro negro
voo sobre a minha consciência
o teu rosto
o nosso beijo
Como se eu fosse esse pássaro
voo lembrando o teu corpo
o teu abraço
o nosso riso
Como esse pássaro negro descontrolado
voo por cima da mágoa desesperada
procurando-te incessantemente
como se ali estivesses e eu contigo
Como esse pássaro desanimado
voo e procuro onde paras
fazer-te perceber
breve não tenho asas
Como qualquer pássaro desgostoso
voo sem cessar já sem esperança
norte e sem ti
quase sem penas



Queria tanto
Responder ao teu grito
Ser o teu desejo
Sentir o teu calor
Acalmar a tua dor
Perder-me no teu beijo
Resolver o teu dilema
Ser o teu regaço
O teu descanso
Queria tanto ser
Aquele que afaga e abraça
Dizer estou aqui ou ir aí
Tanto que eu te queria
Mas não gritaste
Não chamaste
Queria mesmo muito
Tanto que eu queria


Quero gritar
Tão forte
Tão perto do sol
Palavras enroladas
Que nunca disse
Nunca consegui dizer
Belas, outras não
Sentidas, sinceras
Verdadeiras
Quero gritar
Qual tornado
Não domado
Quero gritar
Na floresta
Não de enganos.
Depois…
Quero adormecer
Descansado
Acordar no teu regaço
Sentir os teus dedos
O teu cheiro.
Depois…
Não quero mais nada.
Percebes?
Não peço muito.

Que fosses apenas mais uma,
Eu nunca quis
Que fosses minha só por segundos
Entre nós tudo era possível e não
Entre nós havia coisas inexplicáveis
Entre nós tinha que haver sentimento
Relembro tudo na pele
Relembro tudo no coração
Relembro tudo na minha cabeça
Porque não entendes
Vem abraça-me, estou aqui
Vem sente-me, anda para aqui
Que só tu podes ouvir
Que só tu podes sentir
Que só eu posso contar


Pedi-te um beijo
Chegaste a mim
Encostaste o teu corpo
Abandonaste-te
Coloquei o meu braço
Segurei a tua cabeça
Mexi nos teus cabelos
Contornei os teus lábios
Continuaste o teu abandono
Fundiste o teu corpo no meu
Vivemos de novo esse calor
Recebi esse beijo único
Sonhava outra vez
Sonhava mais uma vez
Um sonho insistente
Um pesadelo de novo


Onde está a tua força
A tua coragem
Onde estás
Em que mundo te perdeste
Vem daí, anda comigo,
Seca as minhas lágrimas
Preciso da tua mão
Do teu abraço
Não é ainda tempo
Da terra de sonhos
Continua a lutar
Por ti, por nós
Eu também
não vou desistir.
Olá Pai...
Gosto tanto de ti.






